Vitória Bortolo

O que motivou a sua mudança definitiva para São Paulo? E porque escolheu o Centro como o lugar para morar?

Bastou as temporadas que passei em São Paulo nos últimos meses (além óbvio hahah) para eu entender que é realmente no centro de São Paulo onde tudo se converge, é a intersecção da cidade.

Você pode imaginar São Paulo como um corpo. Onde vocês acham que seria o coração? E não é pra ser poético, é só funcional. Ali onde as veias se encontram e a partir de lá elas se ramificam.

Metáforas a parte, o fato de eu ter escolhido o centro da cidade para morar vem da lógica de ‘’se eu não posso estar perto de todos os lugares ao mesmo tempo, eu posso estar no meio do caminho de todos eles.

Quais as perspectivas para 2019? Alguma surpresa pra contar para nós?

2019 vai ser o ano mais diferente da minha vida. Cidade nova, resoluções novas.. Então o que vem de surpresa vai me pegar também, ainda não sei o que contar pra vocês.

Em relação ao que cabe a mim projetar e fazer acontecer, vem em primeiro lugar a famosa ‘’video-parte’’ tão cobiçada entre nós skatistas. Isso vai ser maluco, prometo.

No ano passado, minha cabeça formou um tipo de lista de perspectivas e planos e quando você me pergunta o que eu coloquei para 2019, vou responder ‘’tirei tudo’’. A geração do E e não do OU é perigosa e frustra muita gente. Pretendo então, esse ano dar mais atenção ao que realmente importa para mim, ao que cabe na grana que eu tenho, na saúde que eu tenho e no tempo que eu tenho.

Assim posso não só idealizar, mas realizar mais.

Sou sortuda em poder colocar como prioridade do ano, aquilo que eu mais amo fazer, skate.

Como você avalia o skateboard em São Paulo? Quais os maiores desafios?

A minha avaliação sobre o skate em São Paulo pode ser suspeita por eu ter acabado de chegar pra valer na cidade.

Eu posso responder essa pergunta com um viés de observações de alguém que veio de uma cidade minúscula do interior onde o ritmo é lento, onde se tem tempo para os detalhes, onde poucas coisas acontecem então tudo se eterniza.

A minha sensação é que o skate em São Paulo é frenético, tudo é um ‘’superboom’’ abafado pelo ‘’superboom’’ que vem logo depois e depois e depois… ‘’Superboom’’ são as tendências. Seja sobre algum pico, sobre algum skatista, sobre alguma manobra, e até as marcas entram nesse jogo.

É aqui que entra o desafio na cidade onde tudo acontece. Existem passados que conseguem se eternizar de uma maneira muito consolidada. Sejam manobras, skatistas, projetos ou o que dá na cabeça de alguém, mas é tão incrível que as gerações contam para as próximas e pra sempre vão ser lembrados ou tidos como referências. Vocês já chegaram em um pico e seu amigo te contou o que já fizeram ali? Ou já ouviu alguém comentando do campeonato que todo mundo colava, ou vídeo que todo mundo lembra. É disso que eu tô falando!

A principal maneira que São Paulo me desafia, é sobre poder tornar o passado tão importante quanto o presente através de algo que eu fizer.

Tem algum lugar favorito pra andar e sugerir pra galera? Porque você gosta desse spot?

Assim como as manobras, os spots preferidos também variam conforme meu humor, além disso é uma lista muito grande.

A minha sugestão é que façam uma sessão na Paulista de madrugada, vão encontrar de tudo lá e não vão terminar a sessão insatisfeitos. Se você estiver na Roosevelt, pegue uma carona com os carros que estão subindo a Augusta.

Saiam para uma sessão na Vila Madalena também, quem sabe vocês encontram algum pico novo. Tentem ir domingo, menos movimento, menos broncas dos ‘’guardinhas’’.

O último lugar que andei e ficou na minha mente foi na Av. Berrini, nenhum pico em específico, mas lá é garantido que vão encontrar muitas possibilidades. Aproveitem, vão explorar, não vou entregar nada de mão beijada.

E como está a carreira fora do skate? Conta um pouco pra nós dos seus trabalhos.

De 2015 a 2018 cursei Publicidade e Propaganda e nos anos de faculdade trabalhei em uma agência onde aprendi muita coisa do que sei. De um dia para o outro a gente tinha que dar um jeito de aprender alguma coisa maluca na velocidade da luz para entregar o que foi prometido pro cliente, era engraçado mas desesperador.

Porém, desenvolvi muita técnica e pouca sensibilidade.

A grande maioria dos trabalhos que fiz, seja como designer ou motion (e até redatora, nos tempos corridos da agência) foram para clientes que não me identificava, claro é uma característica da profissão, mas nunca fiz algo que realmente quis fazer, nunca sobrava tempo para eu experimentar algo. Se você enxerga as agências com aquela lente cor-de-rosa onde você vai colocar sua subjetividade nos jobs, você nunca trabalhou em uma.

É esse o motivo que desperta em mim a vontade de desenvolver projetos pessoais, explorar e refinar o meu lado subjetivo e fugir do excesso da técnica e escassez de sensibilidade.

Agora, em minha nova rotina, tenho em espaço de tempo valioso para explorar esse tipo de produção e é o que pretendo desenvolver enquanto não estiver nas sessões de skate.

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